Bases espirituais
do carisma
01 - Para facilitar o conhecimento
e a vivência do espírito lassalista, cada membro
da comunidade educativa, (Irmãos, Alunos, Pais, Professores,
Funcionários, Voluntários), é convidado
a ler, meditar e assimilar alguns princípios básicos
vividos e deixados como herança por São João
Batista de La Salle. Neste capítulo, esta Proposta
Educativa Lassalista, tem parágrafos específicos
para cada grupo de componentes da Escola. Pensamentos de La
Salle ilustram os textos:
Educadores
02 - Atitude de fé.
O educador lassalista se considera um vocacionado por Deus
para exercer a missão de educador, como ministro e
representante do Mestre Jesus Cristo. Imbuído desta
convicção ele se coloca diariamente em comunhão
com Deus, lê as sagradas Escrituras, invoca a iluminação
do Espírito Santo e desempenha seu emprego, interiormente
convencido de que é enviado pelo próprio Deus
para ajudar os educandos a desenvolverem todas as suas capacidades
humanas e espirituais.
"Já que Deus, em sua misericórdia, vos
confiou este ministério, não adultereis a sua
palavra... Considerai-vos nisso como ministros de Deus e dispensadores
de seus mistérios." (M 193,1)
03 - Atitude de humildade
e cooperação. O educador lassalista sabe que
o agente principal da educação é o próprio
educando e que os pais são os primeiros e principais
educadores de seus filhos. Ele se considera, porém,
um agente muito importante como auxiliar deste processo educativo
e para isso, se prepara, se qualifica, se enriquece espiritual,
pedagógica e culturalmente e se coloca à disposição
do Senhor.
"Vendo Jesus que, no vosso emprego, o considerais como
quem pode tudo, e a vós, apenas como sendo meros instrumentos,
movidos unicamente por ele, não deixará de vos
conceder o que lhe pedirdes." (M 197,1);
"(Os educadores lassalistas) realizam sua missão
'juntos e por associação” (R 16)
04 - Atitude de doação
amorosa. O educador lassalista cria e desenvolve em si uma
atitude de alegre disponibilidade e doação para
atender com firmeza, ternura e competência as necessidades
intelectuais, comportamentais e espirituais de seus alunos.
"Deveis considerar a vossa obrigação de
conquistar o amor dos alunos como um dos principais meios
de levá-los a viver cristãmente." (M 115,3)
05 - Atitude de educador.
O educador lassalista tem consciência clara de que deve
educar seus alunos e não somente ensinar-lhes o que
lhe é solicitado contratualmente com base em sua profissão.
Mais que instrutor e professor ele deve visar a ser educador
que, portanto, considera o aluno como um todo, particularmente
no sentido da ética e dos valores humanos, sociais
e religiosos. .
"Vossa obrigação de estado é educar
as crianças." (M 115,3)
"Deus vos designou para a educação... Eis
aí o principal cuidado que deveis ter com os alunos
e a razão fundamental por que Deus vos encarregou de
tão santo ministério." (M 197,3)
06 - Atitude de ternura
e firmeza. O Educador Lassalista cuida para ser simpático
e procura tratar sempre seus alunos com profundo equilíbrio
entre ternura e firmeza, de modo que a adesão deles
a uma necessária disciplina para o ensino-aprendizagem
e aos valores que lhes são propostos provenham da liberdade
e do amor e não da dureza e das exigências que
irritam e levam à rebeldia.
Se tendes para com os alunos a firmeza de pai para tirá-los
ou afastá-los do mal, deveis ter-lhes também
a ternura de mãe para atraí-los e fazer-lhes
todo o bem que depende de vós." (M 101,3)
"Quanto mais ternura tiverdes para com os membros de
Jesus Cristo e da Igreja, confiados a vossa solicitude, tanto
mais admiráveis frutos de graça Deus produzirá
neles." (M 134,2)
"Induzis, mediante vossa amabilidade e sabedoria, aqueles
que vos estão confiados a deixarem o vício e
a serem piedosos ?" (M 114,1)
07 - Atitude de segurança
pessoal e flexibilidade. O educador lassalista procura a máxima
segurança e certeza em suas convicções
e no que ensina, dedicando-se à preparação
cuidadosa das lições e a exercícios espirituais
que alimentam sua mística cristã lassalista.
"Tendes a obrigação, por vosso ministério,
de conhecer bastante a doutrina para ensinar às crianças
que vos foram confiadas, a boa e sã doutrina da Igreja."
(M 120,1)
08 - Atitude de confiança
nas potencialidades dos alunos. O educador lassalista utilizará
procedimentos que estimulam a reflexão criativa dos
alunos e cria em suas aulas um processo participativo, de
modo que eles desenvolvam o sentido de cooperação
e, também, que assumam responsabilidades e desempenhem
com esmero o que podem fazer.
"Haverá vários ofícios (atividades)
nas escolas lassalistas, para executar diferentes funções,
que os professores não podem ou não devem executar
por si mesmos." (GE, VIII)
"O professor não falará aos alunos como
se estivesse pregando, mas perguntará quase continuamente
por meio de sub-perguntas, a fim de lhes tornar compreensível
o que é ensinado." (GE, IX, 2)
"Ensinai as crianças, não com palavras
rebuscadas... Importa que as pessoas que as ajudam a se salvarem,
o façam de um modo tão simples, que todas as
palavras que empregam sejam claras e de fácil compreensão."
(M 193,3)
09 - A busca da santificação
através do magistério: La Salle sabe que por
meio da função docente o educador não
só estimula a santificação dos seus alunos,
mas encontra a sua própria santificação.
Ao elevar o magistério à categoria de Ministério
da Palavra, La Salle compara a função docente
ao Ministério do Apóstolo São Paulo:
“Sem querer comparar-vos a este grande apóstolo
Paulo e guardada a devida proporção entre o
vosso emprego e o dele, podeis dizer que fazeis a mesma coisa
e exerceis idêntico ministério em vossa profissão.
Por isso, deveis considerar vosso emprego, de que estais encarregados
por parte dos pastores, dos pais e das mães, como uma
função das mais importantes e mais necessárias
na Igreja.” (M. nº. 7).
10 - A gratuidade no magistério:
Uma das características fundamentais da pedagogia lassalista
é a doação que o educador faz de si e
de seu tempo a quem mais precisa de ajuda. A opção
preferencial pelos pobres foi uma das marcas das origens do
Instituto Lassalista e continua sendo ainda hoje. O engajamento
em forma de voluntariado é uma das maneiras concretas
de os membros da Comunidade Educativa Lassalista expressarem
a doação de si aos mais necessitados. E outra
manifestação desta doação de si
é o engajamento na busca de meios para fazer chegar
aos mais carentes a educação lassalista. Mas
este espírito de voluntariado humanitário e
cristão se desenvolve a partir da consciência
de que um profissional cidadão tem atitudes éticas
e um compromisso vocacional, que não se restringem
aos limites do contrato de trabalho.
Educando
11 - Na escola lassalista
o aluno, respeitado em sua identidade pessoal, é estimulado
a viver, experiências que favorecem o seu crescimento
total: físico, psicológico, social, afetivo,
intelectual e espiritual.
12 - Os alunos são
iniciados e relembrados periodicamente dos objetivos e procedimentos
educacionais específicos de uma escola lassalista,
sendo, ao mesmo tempo, incentivados a darem sua adesão
e cooperação para a melhor efetivação
possível do Projeto Político Pedagógico
adotado.
13 - Os alunos são
motivados, também, a se integrarem na comunidade educativa,
como sujeitos e, ao mesmo tempo, como agentes da educação.
Da participação consciente e cooperante deles
resulta um clima escolar de solidariedade, e de ajuda mútua
e o exercício da cidadania, que muito favorecem a educação
humana e cristã de qualidade que a escola busca proporcionar.
14 - Os alunos são
convidados a terem um grande respeito pela mensagem cristã,
que lhes é proposta, assumindo, na liberdade, os passos
de crescimento na fé, na esperança e na caridade,
alimentando atitude de respeito, acolhida e diálogo
com os que seguem outras opções religiosas.
Um dos frutos deste processo será o desenvolvimento
do sentido comunitário, do amor aos irmãos,
da hospitalidade, da solidariedade e do desejo de participação
política e social, em favor da justiça.
15 - Os alunos recebem orientações
seguras para que possam aprender a ler a realidade em suas
múltiplas facetas, tornando-se críticos ante
esta realidade e comprometidos com a verdade. Com isso eles
aprendem, também, a discernir, à luz da fé,
os valores e contra-valores da civilização atual
e como se engajar no desenvolvimento cultural, científico
e social do país, ajudando a superar a injustiça
social.
Família
16 - A escola lassalista
procura conscientizar os pais de que eles são os "primeiros
e principais educadores" de seus filhos, conscientes
de sua missão e de sua responsabilidade perante Deus,
seus filhos, a Igreja, a sociedade e a escola.
17 - Nesta cooperação
com a família a escola lassalista põe em evidência
a graça especial com que Deus enriquece o lar, a missão
de ser pai e mãe, portanto, de serem ambos co-partícipes
da criação e responsáveis pela vida e
pela educação humana e cristã dos filhos.
Diz La Salle, em sua Meditação 193, "Entre
os deveres que incumbem aos pais, educar cristãmente
os filhos e ensinar-lhes religião é um dos mais
graves".. A família é a primeira escola
de virtudes humanas e sociais de que todas as sociedades precisam.
18 - A escola lassalista
oferece meios para que os pais conheçam as riquezas
da educação lassalista e as modalidades de participação
e colaboração no processo educativo que ela
oferece. Além disso possibilita a quem se interessar
chances para assumir e viver a espiritualidade e a filosofia
educacional lassalsita. Este procedimento não só
beneficiará os próprios pais, mas, também,
de modo especial as próprios filhos, alunos lassalistas.
19 - A escola lassalista
estimula as famílias para que, atentas às necessidades
da grande maioria do povo, cresçam no sincero desejo
de uma sociedade melhor para todos e, na medida de suas possibilidades,
se engajem, concretamente, na busca e construção
de uma sociedade justa e solidária.
20 - Em relação
aos pais, a escola lassalista, anima a Pastoral Familiar,
oferecendo-lhes orientações claras de como podem
desempenhar, de fato, sua missão educativa junto de
seus filhos, como um ministério que receberam da Igreja
no Sacramento do Matrimônio.
Os demais agentes educativos da
escola
21 - Na escola lassalista,
os auxiliares da administração, e os funcionários
da limpeza e manutenção da escola, são
agentes educativos, pois seus atos e procedimentos têm
influência na formação dos alunos. Eles
fazem parte do processo evangelizador da escola lassalista
e para isso se beneficiam das oportunidades de formação
que lhes são oferecidas. Estes agentes educativos não
docentes devem ser conscientizados de que, através
de atendimento sério, atento e educado, podem ser canal
da mensagem evangelizadora da escola para as pessoas que contata.
Para isso esforem-se constantemente para desempenhar suas
tarefas com qualidade e pontualidade.
22 - A escola lassalista
zela para que os agentes educativos não docentes sejam
tratado pelos demais membros da Comunidade Educativa com respeito
e consideração. Eles recebem da Direção
da escola a autoridade suficiente para intervir responsavelmente
no crescimento dos educandos, particularmente quando estes
apresentarem comportamentos indesejáveis.
23 - A escola lassalista
estimula os agentes educativos não docente para que
participem, com liberdade, das atividades religiosas, cívicas
e sociais da escola. E os convida para que, nelas, de acordo
com as possibilidades e capacidades ofereçam sua valiosa
colaboração.
24 - A escola lassalista
motiva a todos para o sentido profundo dado por La Salle ao
termo “Associação” em favor da missão
educativa dos pobres. Para isso oferece oportunidade de estudo
dos documentos do Instituto sobre o assunto.
Tarefas para todos
25 - Todos os membros da
Comunidade Educativa Lassalista são convidados a assumir,
de forma progressiva e coerente, as seguintes tarefas:
a) Redimensionar
a rotina do cotidiano, descobrindo e valorizando a interioridade,
a liberdade, o amor e a luta pela justiça e pela paz.
A cotidianidade, formada pelas atitudes e atividades do dia-a-dia,
na ótica da fé, constitui o habitat da educação
não-formal que plasma o segredo do processo educativo
humano e cristão.
b) Evangelizar
constantemente os três componentes da vida humana que
facilmente conduzem à infelicidade, quando viram ídolos:
o ter, o poder e o prazer.
c) Iluminar
com a fé, de modo permanente, a afetividade, a sexualidade
e a vida matrimonial, o trabalho, a política e a cultura,
o serviço e a criatividade.
d) Comprometer-se
na construção de uma Comunidade Educativa, na
fidelidade criativa a São João Batista de La
Salle e aos dias de hoje, plantando esperança no coração
das crianças e jovens, dando-lhes o necessário
para garantir-lhes uma sólida educação
humana e cristã. |